Fragmento de uma foto retratando um pocket trumpet, retirado da Wikipédia
Autor: José-Manuel Benito
DA
NEGATIVIDADE E DA POSITIVIDADE DO PLANO ESTÉTICO
José Paulo Coelho Faradji Chadan
1. OBJETIVO
Este
projeto tem
por
objetivo investigar
a negatividade e a positividade no
plano
estético e
para
tal, utilizará duas
obras,
a
saber,
Diário
de
um Sedutor e
O
Erótico Musical, ambas
escritas por
Sören Aaybe Kierkegaard e inseridas no
obra
intitulada
Ou,ou.
No Diário de um Sedutor, a figura
principal é Johannes. Apontarei então,
para a negatividade em
Johannes, enquanto um
sedutor que
nunca alcança o que
deseja, pois,
no momento em
que vai alcançar,
o desejado, se desfaz imediatamente.
Apontarei também para
a positividade indireta em Johannes. Indireta,
pois, novamente,
Johannes não chega
a usufruir dela (deste momento
de verdade).
Após esgotar o assunto Johannes,
investigarei Don Juan, figura principal apresentada no Erótico
Musical. Apontarei para a negatividade em Don Juan, posto
que Don Juan não
consegue perpetuar aquilo
que alcança no instante
e depois, apontarei para
a positividade don juanesca, que é justamente o fato
de Don Juan alcançar o desejo
no instante e fruí-lo honestamente. Embora
tenha imediatamente de passar
para uma nova
conquista, uma nova
mulher, encontrando assim,
um novo instante no qual
pode alcançar novamente
seu momento
de positividade e de verdade.
2.
JUSTIFICATIVA
O que me faz querer investigar os dois movimentos ocorrentes no plano
estético, a saber,
o primeiro movimento
que é o da negatividade e o segundo movimento,
que é o da positividade, é por serem estes,
fundamentais no interior
da dinâmica do plano
estético.
Embora na ordem
dos textos, Don Juan apareça antes de Johannes, julguei conveniente
alterar a ordem,
no intuito de mostrar,
quase que
socraticamente, primeiro o movimento
da negatividade, representado por
Johannes, depois, o movimento
da positividade, representado por Don
Juan.
Entretanto, acrescentarei um
pouco mais
de dialética, mostrando que no movimento
da negatividade existe um apontar
indireto para
a positividade, e que, no movimento da positividade existe alguns
aspectos de negatividade.
Tal complexidade é importante
que seja ressaltada, para
que se perca
o preconceito em
se olhar o plano
estético sempre
e somente na sua
negatividade e como algo
a ser superado.
Por fim,
justifico a escolha do tema do presente projeto, por ser pouco estudado pelos pesquisadores
no Brasil, que tem tido maior interesse
pelas etapas ética
e religiosa do que
propriamente pela etapa
estética no caminho
da vida.
3. DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA
3.1
JOHANNES: A ASTÚCIA SENSÍVEL
Minha primeira hipótese é a da negatividade ou,
do movimento negativo
na sedução de Johannes. Johannes sendo, em primeiro lugar, um sedutor reflexivo,
ou seja, um
sedutor que
reflete sobre as artimanhas
necessárias à sedução. Vendo Cordélia passar,
estende-lhe o tapete; avistando-a a olhar-se no espelho, olha por detrás;
escreve-lhe cartas de amor, cativando e seduzindo-a. No entanto,
tudo o que
Johannes deseja, é a entrega inocente
de Cordélia, que se desfaz, no instante mesmo
da entrega; de modo
que Johannes sempre
se afasta para uma nova
reaproximação, posto
que percebe, no limite,
a incoerência e o fracasso
da realização de seu
desejo. Tentarei então,
adentrar os meandros
de tal problemática
e negatividade.
Após o que,
investigarei minha segunda
hipótese: o conceito
de negatividade enquanto desejo que não se realiza, posto
que se desfaz no instante
mesmo em
que começaria por
realizá-lo. Minha hipótese
é que o começo
da realização do desejo
conduz à sua própria
irrealização. Johannes vive numa
circularidade negativa e seu desejo gira
nesta circularidade negativa. Negativa posto que quando vai
se concretizar, fracassa
e o circular, se faz inevitável
(a não ser que se tome consciência
e mude a estratégia da sedução
ou o próprio desejo).
Minha terceira hipótese tentará mostrar por quê
Johannes é a personagem que ocorre no âmbito
da palavra. E os apontamentos
que por
hora possuo, são:
A palavra é o meio
de expressão em
Johannes, justamente por ser a palavra, o meio
pelo qual as ações podem ser pensadas e
refletidas podendo então, desdobrar-se
do pensamento para
a ação e da ação para o pensamento e
de onde portanto,
podem se auferir “silogismos”
ou estratagemas
para seduzir. Contudo, buscarei apontar também neste caso,
o que há de negativo,
posto que
o pensamento desdobrado em ação e vice-versa, impedem o livre
fruir do instante
na sua positividade.
Minha quarta e derradeira hipótese
então, é de que
pode haver um
momento de verdade
e portanto, de positividade em Johannes, que,
no entanto, é apenas
positividade indireta, posto o fato de
Johannes nunca fruí-lo positivamente. Tal,
é o processo que
o sedutor consegue desencadear
em Cordélia. Processo
este, que
faz Cordélia conhecer aspectos
de si mesma,
que, se não
fosse Johannes seduzindo-a, ela jamais conheceria. Contudo,
tal positividade só
o é, para Cordélia, posto
que Johannes, não
chega a fruí-la, retirando-se no momento da entrega
inocente, por
perceber, no limite, a
impossibilidade da mesma, e permanecendo
assim, Johannes, na negatividade.
3.2 DON JUAN:
A GENIALIDADE SENSÍVEL
Iniciarei por desmistificar Don Juan,
ou, melhor
dizendo, em mostrar
que o Don Juan de Kierkegaard não tem relação
alguma com o Don Juan concebido pelo senso comum. O Don Juan concebido pelo
senso comum
é uma espécie de sedutor
barato e infeliz
ao passo que
o Don Juan de Kierkegaard nem é um sedutor no sentido rigoroso do termo e tão pouco é infeliz.
Minha primeira hipótese consistirá
em
mostrar a positividade de Don Juan.
Tal positividade se
mostra
na
total honestidade
de Don Juan,
pois este,
deseja honestamente
esta
ou aquela
mulher
e, do
outro lado,
a
mulher, percebendo
isto, apaixona-se. A
honestidade
de
ambos os
lados
constitui a positividade do
plano estético (
ainda
que tal
positividade se
dê no
momento da
entrega
e se desfaça
logo em
seguida, ocorrendo
assim,
no
instante). A positividade se
mostra também,
pois a
mulher
“seduzida”, tem
certeza de
que foi desejada e
amada
(
ainda que
apenas no
instante
da
entrega),
porém,
ela sabe
que
Don Juan tem de
partir para
uma
nova conquista
e,
apesar de
sofrer,
o “
deixa”
ir.
Disto,
seguirei apontando para a repetição
no plano estético.
Cada nova
mulher, cada
nova conquista,
cada novo instante, é justamente,
a repetição da experiência
estética em
Don Juan, e esta, positiva. Portanto, minha
segunda hipótese
será investigar o conceito
de repetição e mostrar
como a repetição
se dá no instante de cada nova entrega e de cada
nova conquista.
O instante enquanto
fruição, além
de ser passível de repetição, é imediatamente
positivo.
Minha terceira hipótese será mostrar que quando o cristianismo posiciona a figura
de Don Juan, faz assim, aparecer
seu aspecto
de negatividade, enquanto algo que deve ser superado.
O
cristianismo da
Idade
Média tardia,
posiciona Don Juan
como o
arquétipo da
vida
carnal, da
vida
mundana, da
sensualidade
e do demoníaco. A
sensualidade,
segundo Kierkegaard,
já
estava no
mundo antes
do
cristianismo,
mas
é
somente quando
este a posiciona (e o faz utilizando a
figura de Don Juan),
que
ela se
torna
determinação do
espírito
e
objeto de
reflexão,
pois antes,
com os
gregos,
a
sensualidade era
vivida animicamente
.
Por fim, minha quarta e última hipótese
implicará em mostrar
porque somente
a musicalidade pode representar Don Juan enquanto genialidade
sensível. As impressões
que saltam à vista
então, são
de que Don Juan não
poderia, como
Johannes, ser expresso
pela palavra,
pois carece de reflexão.
Sendo assim, só
a musicalidade pode expressá-lo, posto que a musicalidade, assim
como Don Juan, é pura
fruição, onde
um instante
é seguido de outro sem,
no entanto, formarem um todo, antes, cada instante alcança em
si mesmo,
sua tonalidade,
sua eternidade.
Na musica, cada nota
tocada no instante, se eterniza e, logo, passa-se à nota
e ao instante seguinte,
do mesmo modo
que Don Juan passa
à mulher seguinte
e ao instante seguinte
(que se eterniza positivamente).
4. METODOLOGIA
O trabalho será desenvolvido
em dois momentos:
Partindo da figura de Johannes e tendo por
texto base,
O Diário de um
Sedutor, explorarei este
texto, bem como os comentadores do mesmo,
na tentativa de clarear o
significado de Johannes enquanto negatividade no plano
estético. Para
não ser superficial ou parcial, tratarei também
de uma possível positividade ou um apontar indireto para a mesma,
mostrando a dialética interna existente na figura
de Johannes. Perpassarei por Cordélia então, posto a
impossibilidade em falar
de Johannes sem citar
Cordélia. E mostrarei como e quais os processos
que Johannes desencadeia nela, de tomada de consciência
e descobertas (apesar
dele mesmo não
usufruir disto).
Após o que,
explicitarei acerca da figura de Don Juan, desta vez,
tomando como texto
de apoio O Erótico
Musical, bem como
os comentadores do mesmo. Investigarei a
positividade no plano estético, representada por
Don Juan. Falarei da “sedução natural”
e/ ou da “honesta
sedução” enquanto
positividade que ocorre no instante da entrega
e no fruir positivo
da mesma. Falarei da musicalidade como essência que expressa
Don Juan, justamente por ser, assim como Don
Juan, pura fruição
que se eterniza no instante
e se repete a cada novo
instante.
Disto,
passarei ao
cristianismo vigente na
Idade Média tardia,
que ao
posicionar Don Juan, o faz,
como
algo a
ser
superado. Tratarei
então, do
aspecto negativo em Don Juan,
ou,
do
aspecto que
o
cristianismo medieval
viu e posicionou
em Don Juan. Mostrando
assim, a
dialética
existente
também, no
interior da
figura
de Don Juan.
Portanto, embora
eu indique Johannes enquanto
negatividade e Don Juan enquanto
positividade, esforçar-me-ei em mostrar a positividade
indireta que
há em Johannes e a negatividade
posicionada pelo cristianismo
medieval, que
há ou é apontada em
Don Juan, fazendo ver assim,
a complexidade e a dialética interna no plano
estético em
ambas as personagens.
5. PLANO DE TRABALHO
De março de 2009 à
outubro de 2009, Pesquisa
bibliográfica para elaboração
do primeiro capitulo.
De outubro de 2009 à fevereiro
de 2010, Esboço do primeiro
capitulo.
De março de 2010 à outubro
de 2010, Leitura critica do material escrito
e finalização.
De outubro à fevereiro
de 2011, Pesquisa bibliográfica do segundo capitulo.
De março à outubro
de 2011, Dialogo com o orientador e escrita
do texto.
Novembro de 2010, Pré-defesa.
Fevereiro de 2011, Defesa.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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